Roda Aberta

e a Roda está Aberta!

Modelos, escolhas e a via de santidade no século XXI

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Com tantas notícias circulando nos diversos e modernos canais de comunicação, minha dificuldade é abstrair o que existe de bom no mundo de hoje. E noto que é difícil, também, para os meus convivis.

No meu ambiente, e acredito que não seja somente no meu, existe uma forte pressão por resultados. Se você não dá resultados, seja lá quais forem, você não serve para o sistema. É discartado. Mas, pra isso, você precisa ter saúde. Saúde, hoje, tem uma forte relação com dinheiro (já que um lindo e saudável corpo, normalmente, é aquele que é produzido por todas as cirurgias plásticas, academias, produtos de beleza, dietas de N tipos, etc).

E dinheiro… E, bom, para conquistá-lo vale tudo, não é?!! Ética? Hmmm o que é isso mesmo??

O resultado direto de viver nesse ambiente no qual estou inserido  é simples: altos custos com terapias, infelicidade, insatisfação, busca constante por entretenimento que nos tira da realidade (vide vídeo-games, computadores, etc), viagens super caras, (falso) status social…

Claro. Toda maquiagem, com água, desaparece. Como diz a sagrada escritura, a casa que permanece é aquela que possui raízes profundas e é construída sobre a rocha.

É nesse contexto que penso em Chiara (Luce) Badano. Ela viveu 18 anos. Faleceu vítima da doença do século – o câncer. Mas, nesse curto espaço de tempo, alcançou algo que muitos cristãos almejam: o mais importante “certificado” de reconhecimento que, no mercado, não tem muita validade e não dá aumento de salário: a santidade. Ela será beatificada no próximo dia 25 de setembro.

Santidade… Palavrinha fora de moda essa… Faz-me pensar em São Francisco, em São Joaquim, em São Maximiliano Kolbe (pessoalmente uma referência pra mim… deu a vida na época da segunda guerra mundial por um pai de família). Alguns desses personagens viveram num período sombrio da nossa história (a idade média), outros deram a vida em ocasiões duras e difíceis (como na guerra). Mas Chiara Badano não… Ela, simplesmente, teve um câncer… Como tantas outras pessoas… Não deu a vida por ninguém (como são Maximilano)… Não salvou a Igreja de um cataclisma de uma era obscura… Então, o que faz dela uma beata reconhecida pela Igreja?

Fui atrás da definição de santidade. Ei-la (http://pt.wikipedia.org/wiki/Santidade): “na Igreja Católica (…) algumas pessoas são oficialmente reconhecidas como santos. Elas são vistas como tendo feito algo de extraordinário ou tendo uma especial proximidade com Deus.” E também, aproveitando a deixa, fui pesquisar a diferença entre beatificação e canonização (http://www.santosdobrasil.org/?system=news&action=read&id=237&eid=256): “A primeira diferença entre a beatificação e a canonização é quanto ao tipo de ensinamento da Igreja. Quando o Papa declara alguém Beato isso é considerado um ensinamento oficial da Igreja a respeito dessa pessoa. O que isso quer dizer? Que ela viveu as virtudes cristãs de forma heróica, ou então, se é o caso de um mártir, que ela recebeu um martírio verdadeiro (chama-se declaração de magistério ordinário). Quando alguém é declarado santo é diferente: isso é feito de forma solene, com uma declaração infalível, que só o Papa ou os bispos todos do mundo inteiro unidos em Concílio podem fazer (…). Quanto à vida virtuosa da pessoa, a canonização não acrescenta nada de novo ao que já foi falado na beatificação.A segunda diferença é quanto ao culto público que se presta a essas pessoas (…): com a beatificação a Igreja permite que se preste culto público ao Beato somente em algumas regiões, ou seja, nas regiões onde ele viveu, e na canonização esse culto é estendido ao mundo inteiro, é universal.

Certamente Chiara Badano fez algo extraordinário e teve uma especial proximidade de Deus. Ela amou!! Amou o Amor (Deus), amou o irmão, procurou viver cada momento da sua vida como se fosse o último, desde a sua infância até os últimos momentos da sua vida, no hospital.

Não foi o câncer que a fez beata: foi o amor!! Amor, no sentido agape, que ela dedicava a qualquer pessoal que estava ao seu lado.

Ela foi uma atleta! Amava o esporte. Foi jogando tênis que ela sentiu os primeiros sintomas da doença que a tirou a vida… Amou as crianças, amou a arte. Amou o continente africano e trabalhou por isso! E hoje, junto do Amor por excelência, é certificada com o grau de santidade.

E o que foi que ela produziu?! Não encontraremos nenhum artigo científico escrito por ela, nem teses, tem monografias… Ela não tem nenhum troféu do esporte que amava… E ainda assim foi uma pessoa feliz e realizada!

Do que vale eu ter todos os certificados da Oracle, Sun, Java, Microsoft, ter um super mestrado em Harvard, doutorado no MIT, troféus e mais troféus, se à base nisso não existir o amor? Poderei levar todos os meus certificados para a minha urna, mas o que restará de mim para aqueles que conviveram comigo será o quanto eu amei com o amor agape.

O caminho para buscar a maior certificação de todas, a santidade, é “simples”: procurar, em cada ocasião que encontrarmos na vida, a experimentação do Amor. Com isso no curriculum será fácil apresentar-se ao Amor, Deus, e sentir-se Amado, já que teremos feito isso a vida inteira.

Chiara Badano fez a sua parte, simplesmente. E hoje é uma grande beata, dos nossos tempos. Um grande e simples desafio que está lançado…

SERVIÇO

  • para saber mais de Chiara Luce Badano: http://www.chiaralucebadano.it/ .
  • no Google e no YouTube é possível encontrar muitas referências à respeito :)
  • evento de beatificação: missa, dia 25 de setembro de 2010. A seguir, noite de apresentações sobre a sua vida.

Escrito por Eduardo Cordeiro

agosto 24th, 2010 at 6:03 pm

“ACABOU! Não há mais pobres entre nós!”

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Os jornais e a internet apresentaram longas matérias sobre como o Brasil acabou com a pobreza.

Especialistas tem se revezado ao comentarem os números. O governo se apressou em mostrar o que realizou no seu mandato, esperando obter mais alguns pontinhos de aprovação com a população. Um rapaz comentou com uns amigos que não tinha certeza se deveria acreditar ou não naqueles dados. Explicou: “- Ontem mesmo, eu estava indo pro trabalho e passou uma senhora com aquele Mercedes. Olhei pro meu popular e parecia uma carroça! Quando parei no sinaleiro, um cara numa bicicleta velha passou por mim. Me dei conta de que minha carroça não estava tão ruim quanto eu pensava”. Concluindo, acrescentou: “não sei bem o que querem dizer com esse negócio do fim da pobreza… porque o cara da bicicleta parecia bem pobre pra mim, e eu, com certeza, sou pobrasso pr’aquela senhora.”

Voltemos a 2010. O IPEA lançou um estudo anunciando que em 2016 a miséria estará extinta no Brasil. Possível? Investigo a questão um pouco mais e trago para o Roda. Coincidentemente, neste mesmo período um grupo de pesquisas da Universidade de Oxford lançou um estudo inovador sobre a pobreza no mundo. Desta maneira, estará tudo posto aqui.

Vamos aos números.

O IPEA considera como pobre a pessoa que recebe menos de R$ 207,50 por mês. Está em extrema pobreza quem recebe menos de R$ 103,75. Estes valores correspondem à metade e a um quarto do salário mínimo de 2008, que foi o último ano analisado na pesquisa. Sendo assim, concluíram que se mantido o mesmo ritmo de diminuição da pobreza, em 2016 o Brasil poderá dizer que não haverá mais pessoas em extrema pobreza e apenas 4% da população, ou seja, algo em torno de 7,6 milhões de pessoas, serão pobres.

Poderemos comemorar? Só um pouquinho, por conta de alguns motivos “cruéis”. O começo de tudo está na linha que divide os pobres dos não pobres. Para um país continental como o nosso, uma medida única é muitíssimo problemática. Há uma enorme diferença entre aquilo que eu compro com R$ 100 em São Paulo e em Moreilândia (PE). Portanto, sem diferenciar o custo de vida de cada lugar, haverá sempre enormes distorções ao comparar níveis de renda. O segundo motivo da tímida comemoração é que, desconsiderando as distorções, a pesquisa mostra que enquanto nos estados do Sul e alguns do Sudeste não haverá pobres, em Alagoas e no Maranhão haverá ainda mais de 30% da população presa nesta condição.

Por que será mais difícil atacar a pobreza no Maranhão e em Alagoas? Alguns autores apontam os grandes níveis de desigualdade econômica como o freio para a erradicação da pobreza. Em outras palavras, onde a desigualdade é maior, é mais difícil acabar com ela. Bem, se voltarmos aos dados do IPEA vemos que o descompasso neste quesito é muito grande: há diversos estados que conseguiram reduzir a desigualdade em mais 1% entre 1995 e 2008, mas há aqueles em que esta redução não passou de 0,2%.

Vamos aos dados de Oxford (OPHI). Estes são inovadores porque não consideram renda, mas outros itens que estão relacionados com o bem-estar das pessoas, como acesso à água potável e à eletricidade, nutrição, educação, etc. A pesquisa analisa dados de 2003. Concluíram que a pobreza afeta 8,5% da população, sendo que estas pessoas tem falta de pelo menos 46% dos itens analisados. Ora, este estudo parece mais otimista que o do IPEA, que aponta que 28,8% da população é pobre. Será? Mais ou menos.

Os dois índices, na verdade, são complementares; eles tem objetivos diferentes. O olhar da renda é eficaz nos casos de extrema pobreza, em que pouco aumento da renda faz uma enorme diferença. Já o índice da OPHI aponta as carências da população de modo mais objetivo, facilita a vida de quem tem que fazer uma política de combate à pobreza, e aponta para questões que não se resolvem de um dia para outro, com simples assistencialismo. Sabem qual item em que somos pior, segundo a OPHI? Escolaridade. Vejam o gráfico.

O IPEA mostra que estamos num bom caminho de redução da pobreza, mas há entraves que não são plenamente compreensíveis quando analisamos somente as variações de renda. A pesquisa da OPHI mostra que o Brasil tem um enorme problema na formação das pessoas. Por que isto preocupa? Simplesmente porque para que de um ano para outro, para que a barra do gráfico da pobreza diminua, é necessário que muitos empregos sejam criados, que muitas empresas sejam abertas, que estradas sejam construídas, que se abram novos hospitais, etc. Como isto será possível se faltam pessoas capacitadas para isto?

Para concluir: são as pessoas! O fim da pobreza não virá somente quando a renda de todos for igual, ou seja, quando todos tiverem um Mercedes. Mas virá quando se criarem as condições para que as pessoas utilizem dos seus talentos e capacidades para garantir um sustento digno, com moradia adequada, educação de qualidade para seus filhos, etc. Portanto, não nos iludamos com resultados vagos sobre o crescimento da renda, mas nos preocupemos em saber o que faz com que os números aumentem ou diminuam.

Se eu sei que o amigo da bicicleta velha a usa para ir ao trabalho para fazer exercício e porque não quer poluir, e não porque lhe falta outra opção, então ele não é pobre, ele está em pleno uso de suas capacidades físicas, cognitivas, morais, etc. A boa notícia é que a construção destas características não depende somente das políticas do Estado, mas são fruto também dos nossos relacionamentos quotidianos, profissionais, familiares e de amizade.

Escrito por Cristina Souza

julho 23rd, 2010 at 2:57 pm

A fábula do porco e o desafio da fraternidade

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Conta a lenda que um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça. Um dia ele descobriu que seu vizinho tinha este determinado cavalo. Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo. Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário que disse:

- Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante três dias. No 3º dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor será necessário sacrificá-lo.

Neste momento, o porco escutava a conversa.

No dia seguinte, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:

-Força amigo, levanta daí senão será sacrificado!!!.

No segundo dia, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou novamente e disse:

- Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar.

Upa! Um, dois, três…

No terceiro dia, deram o medicamento e o veterinário disse:

- Infelizmente vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.

Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:

- Cara, é agora ou nunca! Levanta logo, upa! Coragem! Vamos, vamos! Upa! Upa! Isso, devagar! Ótimo, vamos, um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa, vai….fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa! Você venceu campeão!!!.

Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:

- Milagre!!! O cavalo melhorou, isso merece uma festa!Vamos matar o porco!

Não há dúvidas que ao terminar de ler esta historinha a primeira sensação que temos é do quanto somos injustiçados por nossos “superiores”. Reações do tipo “Ah se meu chefe lesse esta história”, “As pessoas não me valorizam” ou “Puxa vida, eu sou mesmo o porquinho” são inevitáveis. Porém, ao fazermos a interpretação sob este ponto de vista, corremos o grave risco de cairmos na miopia da auto-piedade. Bater no peito e dizer que ninguém dá o devido valor ao nosso trabalho faz com que voltemos nossa atenção única e exclusivamente pro nosso umbigo, e nenhuma mudança em prol de uma sociedade mais fraterna ocorra. Faço o convite pra que interpretemos a fábula sob outro ponto de vista.

Imaginemos que somos o dono da fazenda. Quantos “porcos” não matamos na nossa vida, sem sequer nos darmos conta? Reflitamos: Qual foi a última vez que agradeci à “tia da limpeza” pelo ótimo serviço que ela faz ao manter tudo em ordem e nos dar condições de trabalhar tranquilamente? Quando foi que sorri pro senhor que entrega os cartões de estacionamento no supermercado, retribuindo-lhe a sua presteza e agilidade? Quantas vezes disse ao meu chefe “obrigado” por trabalhar duro, muitas vezes deixando de lado sua vida pessoal,  para que eu tivesse um emprego?

Talvez todos eles, ao lerem a mesma fábula, viram em nós o fazendeiro, e sentiram-se também injustiçados por nós.

A construção da fraternidade nos abre as portas de um novo horizonte.

Somos frequentemente provocados a sair do nosso mundo e olhar mais além. Temos a oportunidade de dar espaço ao outro, passando a medir as nossas necessidades a partir das suas. Trata-se de um exercício contínuo, onde o que vale é a decisão entre subir no palco e ser protagonista ou ficar sentado na platéia.

Escrito por Silvio Rossetto.

Escrito por Cristina Souza

julho 19th, 2010 at 12:47 pm

Postado em Temáticas

Não bata, eduque?

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Vamos falar de educação?

Essa semana vi na televisão uma campanha que já tinha me chamado a atenção na internet. Trata-se da ONG “Não Bata, eduque”, um movimento social composto por instituições e pessoas físicas contra os castigos físicos e humilhantes na infância.

Provavelmente muitos de vocês que lerão este post já levaram aquelas famosas palmadinhas da mamãe ou do papai depois de aprontar alguma. A campanha não quer que as famílias tolerem nenhum tipo de castigo que envolva contato físico ou humilhação verbal.

No site da ONG é possível encontrar um quadro com argumentos pró e contra às famosas palmadinhas. Confesso que me enquadrei na categoria daqueles que já levaram muitas palmadas e que acreditam que elas contrubuíram na educação pessoal e na disciplina. Mas para a ONG, o diálogo com a criança é sempre a melhor saída. Louvável. Não me entendam mal, também sou desse partido. Mas será que para fins corretivos, todos os pais sabem dialogar com a postura necessária para que as crianças entendam o mal que causaram?

Só estou querendo abrir o assunto para discussão, pois realmente achei algo bem complexo. Quem convive com crianças sabe que diante de toda a dose de amor e de mimo que os pais dedicam, umas palmadas em certas situações não são motivo de trauma. Mas em se tratando da massa da população, acho a campanha bem interessante. Os dados estão aí para mostrar que as nossas crianças estão precisando muito mais de carinho do que de correção. Só não sei se podemos pegar ao pé da letra toda a pacividade da campanha.

Acho que tem gente querendo me bater nesse momento. Calma! Mais uma vez, não defendo esse tipo de castigo. Mas acredito no equilíbrio e no bom senso dos pais que estão realmente preparados para assumir esses papéis. Pois, se tiver muito amor até nas palmadinhas, não vejo nada de errado. Pra mim, deveria ser: “Eduque: sempre com amor”.

Abro os comentários para a discussão.

E quem quiser saber mais da campanha, entra aqui:http://naobataeduque.org.br/site/home/index.php



Escrito por Cibele Lana

julho 13th, 2010 at 3:00 pm

Postado em A Sociedade,Comportamento

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De quando falaram em inglês comigo no Brasil.

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Eu estava passeando na Lagoa da Jansen, São Luis do Maranhão, e um bando de meninos passou falando algumas coisas que em parte era inglês, em parte era embromation. Teve também o dia no supermercado em que escutei de longe: “é gringa”; além de alguns olhares investigativos em um e outro bar. Resumindo: deparei-me com um país – o meu – em que eu era estrangeira. Sim, como se pode imaginar, cumpro com o estereótipo gringo, tal como uma boa parte da população que vive no Sul, de onde venho. De fato, não eram apenas os locais que me confundiam com estrangeira, pois aos poucos eu fui me sentindo mesmo assim, por vários motivos.

Nos 15 dias em passei pelas ruas de São Luis, pelos rios de Barreirinhas e pelas dunas dos Lençóis me deparei com aquilo de mais bonito e mais triste existe no Brasil.

Faço logo a propaganda: visitem o Maranhão! São Luiz é viva, colorida, musical… As dunas com lagoas cristalinas?! Sem palavras. Tem que ver. Porém, infelizmente nesta paisagem aparecem cenas tristes, inquietantes, das quais vou contar apenas uma.

Estava eu entrando em uma igreja e uma senhora, que parecia já estar por aí há um tempo, viu uma “gringa” (eu!) e pediu dinheiro. Eu disse que não tinha e ela me xingou. Fiquei “de cara” com a senhora. Pensei logo: ela acha que eu tenho obrigação de lhe dar dinheiro… e milhares de outras coisas foram se somando àquilo que estava sendo o meu conceito sobre o Maranhão e sobre o seu povo. A minha sorte é que eu estava entrando na igreja para rezar e não só visitar, e resolvi repensar a cena sob outra perspectiva: a dela.

Fiquei me imaginando sentada naquelas escadas, depois de ter passado poucas e boas na vida, tendo que pedir dinheiro, pois afinal de contas, sempre tive que me contentar com pouco. Parei com o exercício por ali; eu já estava depressiva. Apesar do esforço, senti uma total incapacidade de compreender aquela senhora, aquele povo. Dei-me conta que não é só a cor da pele, o estilo da arquitetura e os sons na praça que eram diferentes, mas toda a nossa história. E nisto eu quero incluir aquilo que se entende como a história que forma a identidade, que não começa com a concepção, mas antes: naquilo que os antepassados transmitiram como valores, além, é claro, dos seus feitos.

A história com que me identifico do Brasil é de lutas compensadas por conquistas: é a história de imigrantes que chegaram para trabalhar no país quando este já era uma república. Mas a história de quem viveu a escravidão tem, com certeza, outras nuances que eu desconheço. De indígenas, então?! Não saberia nem por onde começar.

Pensei um bom tanto sobre este assunto e na maior parte do tempo me parece que alcançar uma identidade única é impossível. No entanto, dei-me conta que o sentimento de incapacidade de uma mútua compreensão não pode ser aceito como justificativa. Posso não me identificar com todo o sofrimento de uma geração, mas sou capaz de dialogar e construir uma nova história futura, de respeito, tolerância, solidariedade, etc. Isto não significa aceitar simplesmente tudo o que o outro faz, mas buscar elucidar o positivo e o negativo que há nele e em mim.

Estamos em um período eleitoral em que propositalmente colocam em evidência Norte versus Sul. No debate das cotas raciais, o discurso se transforma muitas vezes em algo como “brancos contra negros”, criando estereótipos perigosos, que se configuram inúteis para solucionar o problema. Este tipo de atitude é a afirmação de que é impossível compreendermos a diversidade de histórias e de vidas existentes neste país. Já existe uma ruptura econômica entre Norte e Sul; não devemos criar a ruptura humana. Da mesma forma, quando se referem aos “brancos” e “negros”, isto está parecendo conversa de campo de concentração nazista. Quais brancos tem dívidas com negros? Os descendentes das capitanias hereditárias? Ou todos? Não há lógica nem sensatez nestes argumentos, mas sabemos que os corações pegam fogo com estas questões.

Acolher a história do outro como se fosse a nossa.

Talvez este seja o ponto de partida para se pensar em como diminuir os contrastes econômicos e sociais que estigmatizam nosso país. Vamos curtir o que há de bom – adorei o boi, o arroz de cuxá, a geléia de pimenta, o cacuriá! Confesso que não gostei do Guaraná Jesus, mas experimentei… E o que é negativo, a gente trabalha para melhorar.

Escrito por Cristina Souza

julho 8th, 2010 at 8:00 pm

Um bom apetite eleitoral

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Já que estamos batendo na tecla das eleições devido ao caldeirão fervente que se inicia com as campanhas, também quero dar o meu ingrediente na receita de cidadania para que a rodada de políticos no próximo mandato seja mais temperada de esperança e menos insossa em credibilidade.

Acredito que a combinação entre juventude e acesso aos meios de comunicação, nessa vertente que possibilita a todos nós sermos mídias, possa resultar em um saboroso prato de fiscalização dos homens públicos e consequentemente assegurar o famoso “bem comum” para TODA a população.

Pois bem, o tempero de hoje então se refere à mais nova experiência lançada pela ONG Transparência Capixaba Jovem, nascida e apimentada pelos membros do Espírito Santo. O cardápio desses jovens, que tem na sua lista desde mesas redondas com os candidatos ao governo do estado à workshops sobre o portal de transparência estadual, está contando a partir de agora com a receita especial do chefe: uma cartilha eleitoral completamente 2.0. Através das redes sociais como Twitter, Orkut, Facebook e do próprio blog da ONG, os cidadãos capixabas poderão enviar orientações que consideram importantes “cair na boca do povo”.

Os usuários da rede poderão colaborar (1)com dicas de como votar e de como pesquisar o histórico dos candidatos, (2) com explicações sobre termos específicos e regras de conduta durante o período eleitoral, além de (3) descrição dos direitos e deveres dos eleitores e um (4)tira dúvidas. E aí? O que você acha interessante que o eleitor saiba para votar em 2010?

Para contribuir pelo twitter será necessário utilizar a hashtag (o famoso #) com a palavra #cartilhaTCj. Todas as colaborações serão recolhidas pelos membros da ONG na rede e os seus autores receberão o devido crédito na composição da cartilha que, depois de pronta, temos certeza que abrirá o apetite de muita gente em favor do voto consciente.

Se eu dei água na boca, entre aqui e sirva-se à vontade: HTTP://tcjovemes.wordpress.com

E se alguém quiser copiar a receita do chefe para outros estados, manda brasa!

Escrito por Cibele Lana

junho 29th, 2010 at 12:52 pm

Nenhum candidato para mim! Branco ou Nulo?

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Fiz minha tarefa de casa e pesquisei qual a diferença entre o voto branco e o nulo. Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral – e também confirmei com uma analista do Tribunal Eleitoral, nenhum destes votos é considerado válido. Isto quer dizer que é como se você nem tivesse votado, pois é um voto que não é contabilizado PARA NINGUÉM. O que você manifesta quando vota em branco é que não concorda com ninguém e quando vota nulo, podem interpretar que você não soube votar.

E aquela história de que o voto branco favorece quem está ganhando? Pois bem, isto só é verdade na medida em que você poderia votar para um oponente deste candidato, melhorando as chances do oponente. Sem oponentes, quem está ganhando é favorecido, pela lógica!

Portanto, o cidadão, quando quer demonstrar que não concorda com nenhum candidato, pode votar em branco. E este é um direito. Anular o voto vai ter o mesmo efeito, mas ele terá mais trabalho para votar, pois terá que inventar um número que não existe, ao invés de somente apertar o botão “Branco”.

Espero que não precisemos muitas vezes destes recursos, pois é melhor que encontremos pessoas a quem confiar nosso voto.

Escrito por Cristina Souza

junho 28th, 2010 at 12:50 pm

Postado em Política

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Rumo ao Hexa e… enquanto isso, na “Sala de Justiça”…

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Hoje a Argentina arrebentou com o México. Amanhã veremos se o Brasil avança mais um passinho rumo ao Hexa. Torço! Quero que ganhe! Bem, mas o assunto na verdade é outro. Hoje, depois de tantos jogos – nunca assisti tantos! – abri alguns jornais, só para dar uma olhadinha no que estava acontecendo fora da África do Sul. Por isto me lembrei daquela partezinha do desenho da Liga da Justiça, em que havia sempre alguma coisa acontecendo na Sala da Justiça, enquanto os superamigos davam um jeito nos vilões.

Sala de Justiça e os Superamigos.

Li as notícias sobre política, porque considero que estamos em um momento único de nossa história – como diria nosso presidente! Há sites que apontam o quanto a mídia pende para um lado ou outro; outros jornais que só fazem propaganda. Há acordos interessantes acontecendo – a dificuldade de uma aliança nacional enfrentada pelo PMDB nas regionais, por exemplo. Muitas coisas, de fato. Coisas que não mudarão o resultado do jogo de amanhã, com certeza. Mas tão pouco o resultado do jogo irá mudar nossas vidas daqui um ano.

Um assunto, portanto, é: você está acompanhando o que se passa na política do seu país e do seu estado, mesmo com a Copa do Mundo 24hr no ar? Diga que sim, por favor!

“- Claro que sim”, você dirá. Ótimo. Então, passemos ao segundo assunto. A qualidade das informações que acessamos sobre nossos candidatos. Me sinto como na propaganda do Bis – “desconfie de todos”. Isso me incomoda. Uma amiga me alertou para um assunto que acredito estar relacionado a isto. A do voto obrigatório. Se não fosse obrigatório, nossos políticos teriam que pular miudinho para convencer as pessoas a irem às urnas. Haveria uma maior preocupação com o debate e com a apresentação de idéias. Quem defende o voto obrigatório, acredita que é uma maneira de evitar que apenas as elites (educadas) definam os rumos do país, excluindo as massas. Ora, então o problema não é a obrigatoriedade do voto, mas se a maioria da população tem educação e discernimento suficientes! Alerto: acrescentemos este tópico nas nossas conversas com amigos. Não sei quais foram as discussões que resultaram na obrigatoriedade do voto quando fizeram nossa Constituição (a de 1988), mas agora me parece uma contradição obrigar alguém a exercer um direito.

Continuando este assunto, no próximo post irei abordar a questão sobre os votos brancos e nulos, pois é possível que estejamos bem informados sobre nossos candidatos e simplesmente nossa consciência não nos permite votar em nenhum.

O resumo da nossa conversa de hoje é: queremos o Brasil campeão de futebol, e também de liberdade e de cidadania! Você se interessa por estes assuntos? Quero saber por que (sim ou não)! Faz alguma coisa a respeito? Como se mantém informado? O que norteia sua decisão de voto? Participem, a RODA ESTÁ ABERTA!

Escrito por Cristina Souza

junho 28th, 2010 at 2:16 am

De olho nos nossos Bafana Bafana.

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Não, não estou falando da seleção sul-africana.

Estou me referindo aos nossos “garotos-garotos” do Senado e do Congresso.

Talvez seja meio clichê, mas vale a pena o alerta. Enquanto estamos vibrando com os jogos da Copa, tem política rolando por aqui. E foi só as seleções começarem a desembarcar no aeroporto de Johannesburg que algumas aberrações apareceram. Não bastasse a recontratação de 1.600 terceirizados pelo Senado, ontem (09-Jun) a Mesa aprovou um Plano de Cargos, que representará um aumento de 170 milhões na já absurda Folha de Pagamentos da Casa. Em nenhum dos dois casos me posiciono contra ou a favor da proposta. Simplesmente me parece estranho que assuntos polêmicos sejam postos na pauta justo agora. Ou será mera coincidência? Olho na rapaziada!

Escrito por Silvio Rossetto.

Escrito por Cristina Souza

junho 10th, 2010 at 8:33 pm

Defendendo minha ingenuidade

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Era uma tarde de verão comum em Ponta Grossa (PR), ano de 91. Como de costume, estávamos todos na sala. Há uma grande possibilidade que eu estivesse praticando um dos meus hobbies preferidos: ou jogava futebol de botão ou provocava minha irmã caçula – ou  talvez os dois ao mesmo tempo. De repente toca a vinheta do plantão da Globo. A notícia era séria: a força de coalizão, liderada pelos EUA, iniciava um intenso ataque aéreo contra o Iraque. Na ignorância geográfica dos meus 7 anos, saí correndo pro quarto, com medo que uma das bombas atingisse minha casa. Não me lembro por quanto tempo fiquei ali, só sei que o choro não parava. De repente meu pai abre a porta… entra no quarto devagar… após saber o motivo da choradeira, fala calmamente: “Filho, fique tranqüilo. Se eles jogarem uma bomba no Brasil, o pai espalma pra escanteio”. E eu, confiante nas habilidades defensivas do meu pai, voltei à sala pra ficar com minha família.

Você provavelmente vai se perguntar: “E eu com isso?”. A minha resposta, categórica, é: “Sei lá”. O que eu quero, na verdade, é mostrar o quão importante a minha família é pra mim. E mais ainda: a confiança cega que ela me despertava e me desperta – talvez hoje com um pouco menos de ingenuidade. E tenho certeza que seu pedisse pra você contar fatos nos quais sua família foi importante, seria melhor puxarmos duas cadeiras e pedir um bom chopp, pois o papo seria longo.

Pois bem, agora é minha vez de perguntar: você acha justo alguém apropriar-se destes seus momentos de intimidade pra ganhar dinheiro? Ou ainda, usar algo que para você é tão essencial e tão profundo para vender um produto? Se sua resposta é sim, pode fechar a janela do navegador e voltar a fazer o que estava fazendo. Mas se sua resposta foi não, é bem provável que você divida comigo, ao menos parcialmente, uma certa indignação. Neste caso  te peço pra continuar lendo.

Há alguns meses eu estava assistindo a um jogo de futebol. Como todo bom viciado, ao terminar o primeiro tempo, não me mexi do sofá, pois logo viriam os melhores momentos.  E foi aí que caiu a gota d’água da minha insatisfação. Era uma propaganda de um novo carro. O pai, levando a filha vestida de noiva pra igreja, dá de presente surpresa o veículo no qual estavam. A música de fundo aumenta e a voz do narrador apresenta o nome do bendito automóvel. Eu fiquei roxo de raiva!!!! Coincidentemente meu casamento tinha sido semanas antes. O sentimento de felicidade desta ocasião singular ainda estava fresco na memória. Eu simplesmente não podia aceitar que aquilo que eu tinha sentido – obviamente no papel do noivo! – estivesse sendo banalizado pra se propagandear um produto.

Não ache que sou anti-capitalista. Porém minha consciência não me deixa engolir que um valor tão profundo, tão único, seja usado de forma inconseqüente e leviana. E este é somente um exemplo. Você certamente vai se lembrar das propagandas de margarina, de supermercado, de banco, etc… Talvez alguém diga: “Mas são propagandas tão bonitas!”. E eu pergunto: “São verdadeiras?”.

Sei que posso estar parecendo tão ou mais ingênuo do que quando acreditei que meu pai poria pra escanteio a bomba vinda do Iraque. Mas tenho certeza que, assim como eu, existem milhares, talvez milhões de pessoas que não abrem mão de seus valores, que crêem que relacionamentos – também os comerciais – devem basear-se na verdade. À frente de uma equipe comercial, sempre que devo promover um produto, instigo meus companheiros a usarem toda a sua capacidade de criação, com o objetivo de que nasçam idéias ao mesmo tempo inteligentes e corretas, preservando na relação com os clientes a seriedade e a transparência.

Não tenho mais sete anos. Mas ainda acredito cegamente nos valores fundamentais. Assim como muitos de vocês que leram até aqui!

Escrito por Silvio Rossetto.

Escrito por Cristina Souza

junho 10th, 2010 at 8:10 pm

Postado em Mídia,Temáticas

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